Pro wrestlers são os melhores atores do mundo

Para ser um grande wrestler também é preciso ser um grande ator, algumas histórias provam que os wrestlers são os melhores atores do mundo. Confira!

Veja quando Hulk Hogan ou The Rock estão em um filme de ação ou comédia, e o público basicamente espera que seu desempenho seja algo assustadoramente digno. Afinal, esses caras não são atores. Eles são lutadores.

The Rock
Mas vamos dar-lhes algum crédito. Os lutadores estão fazendo performances ao vivo durante todo o ano, tudo ao mesmo tempo sob contrato para permanecer no personagem absolutamente o tempo todo… até mesmo no meio de lesões fatais. Assim, enquanto todos bajulam Christian Bale por ele perder 28 quilos para um papel, duvidamos que ele sobreviveria vivendo como um lutador.

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Ossos quebrados? Continue a luta!

Brock Lesnar vs. John Cena Extreme Rules 2012
Na indústria das lutas, existe um termo: “kayfabe“. É pronunciado da mesma maneira que se lê e se refere à prática de manter o personagem o todo o tempo – no ringue e em público. Não importa o que aconteça. É a vida que os lutadores profissionais vivem. Às vezes, eles quase morrem por ela.

Esta história vem de um documentário chamado Hitman Hart: Wrestling With Shadows. Na década de 1990, Bret Hart estava trabalhando em uma luta contra um adversário que atendia pelo nome esperançosamente falso de Dino Bravo. Em um ponto, Dino jogaria Bret para o lado de fora do ringue e nos guard rail de aço. É um daqueles movimentos de luta livre que parece que ia deixá-lo no hospital, mas se você sabe o que está fazendo, você está bem. E Hart tinha feito isso muitas vezes antes. Desta vez, porém, Bravo usou força demais contra Hart, fazendo-o perder o equilíbrio. Quando ele pousou no guard rail, quebrou o esterno e a maioria de suas costelas.

Agora, no futebol profissional, se isso acontecer, todo o jogo fica pausado. O cara se contorce em torno no chão e eles trazem uma maca e uma dúzia de treinadores. Mas em lutas profissionais? Eles têm um script para seguir. Eles têm kayfabe.

Hart deitou-se lá com dor por algum tempo enquanto o árbitro e Bravo esperavam por ele para voltar ao ringue (de acordo com o script). Eles não tinham ideia de que ele não estava atuando. Fazendo sua parte, o árbitro começou a contar enquanto Bret estava fora (em lutas, se o árbitro conta até 10, enquanto você está fora do ringue, você perde), e Dino sabia que não era assim que a partida deveria terminar. Ele não sabia que Bret tinha praticamente perdido sua habilidade para tomar fôlego em seus pulmões.

Bret, na verdade, seria o vencedor. Então Dino fez a única coisa que podia: Ele pulou com seus 120kg para fora do ringue, pisou em Hart algumas vezes e jogou-o de volta ao ringue.

Depois de rolar de volta para o ringue, Bravo continuou com a luta, tentando fazer o pin em hart, esperando que ele fizesse o kick out, fazendo o seu regresso e terminando o script do jeito que foi escrito. Mas, claro, ele não conseguia dar kick out. Ele não podia nem falar ou respirar. Então, ao invés de tomar a contagem de três e perder a luta, ele quebrou a contagem colocando os pés nas cordas.

A contagem parou, Dino se levantou e Bret imediatamente revertendo-se para fora do ringue, esperando que pelo menos um dos estúpidos fossem pegar algo estava errado. Eles não o fizeram. Bravo, mais uma vez seguiu para fora do ringue e pisou-lhe mais um par de vezes antes de finalmente golpeá-lo, “Isso não está mesmo acontecendo.”.

Nesse ponto, eles decidiram ir com o novo final editado de Bret Hart para que a storyline dos dois não tivesse defeito, de um cara mau legitimamente derrotando um cara campeão mundial sem usar algum tipo de meios desleais (você permanece campeão se perder por count out). Hart nenhuma vez quebrou o personagem ou kayfabe.

E isso não é um caso isolado. Um dos lutadores mais populares do mundo, Triple H, uma vez teve uma luta em que deu um passo para o lado errado e rasgou um músculo. E quando eu digo “rasgou um músculo”, quero dizer que ele rasgou o músculo quadríceps femural, o arrancando do osso. Quando ele percebeu quanto tempo havia deixado para o show (que não era muito), ele decidiu que não havia nada que pudesse fazer sobre isso, mesmo assim continuou a luta e a finalizou.



Infelizmente, o show deveria terminar com ele sendo colocado em um movimento chamado “The Walls of Jericho“, e ele sabia disso. “Mas é um movimento de luta, e essas coisas são feitas de uma forma para não ferirem o outro cara, certo?” Sim. Agora, imagine que o seu músculo da perna foi completamente separado do seu joelho, e tente imaginar quanto tempo você pode resistir nesta posição:

O cara está tentando acabar com você? Continue a luta!

Quando algo acontece que não está no script, é chamado de “shoot“. Um shoot pode ser qualquer coisa vinda de um lutador que faz uma entrevista fora do personagem, e alguém pirando no ringue e, na verdade, tomando um tiro muito real em seu oponente.



Em 2004, Daniel Puder foi em um reality show chamado Tough Enough, onde ele estava competindo para um contrato da WWE no valor de 1 milhão de dólares. Como parte do show, ele e o resto dos lutadores aspirantes eram para aparecer em um episódio do SmackDown. O plano era bastante simples: Cada pessoa trabalharia em um curto espaço de tempo com um lutador chamado Kurt Angle, e, em seguida, seria expulso do ringue por Angle.

No entanto, o primeiro cara que lutou acabou ficando com três costelas quebradas e a real porque Angle queria judiar das novas crianças. Depois que saiu, Kurt foi até a multidão de competidores e perguntou quem queria entrar no ringue ao lado. Daniel Puder levantou a mão. Então o script seria completamente quebrado.

Kurt foi com ele até o ringue, e ficou muito evidente desde o início do confronto que ele estava indo para ensinar uma lição para esse garoto. O problema é que: Puder era um lutador totalmente treinado em artes marciais mistas.

Os dois tentando se “travar” e tentando vencer o outro na força, e apenas quando você pensa que eles estavam começando a dar socos de verdade, Puder caiu no chão, agarrou o braço de Kurt, e aplicou um violento Kimura Lock – um movimento que pode enviar um homem para a cirurgia.

Mas aqui está a melhor parte. Kurt não poderia dar tap out (desistir e acabar a luta) por causa de dois motivos, ambos diretamente ligados ao kayfabe. Primeiro, ele era conhecido por ser um lutador que vencia por tap out, fazendo seus adversários desistirem em decorrência de suas submissões, além de sempre se gabar de que nunca havia perdido por desistência, e isso sempre foi de fato a essência de seu personagem. E segundo, o script atual no ringue foi que ele deveria vencer todos os concorrentes, um por um. Então, se Puder ganhasse essa luta, todo o cenário seria destruído.

Em pânico, um dos árbitros contou até três rapidamente, a fim de fazer parecer que Kurt havia prendido o garoto, ao invés disso Kurt só parecia estar preso em uma submissão de MMA que poderia arruinar um dos seus membros.

Quando os dois ficaram em pé e se confrontaram, Kurt continuou com o script. Impressionante. Quase tão impressionante como “Wild Thing” Steve Ray, que entrou no ringue completamente alheio ao fato de que o seu adversário foi pago para quebrar legitimamente seu nariz:



O promotor tinha pago o adversário, devido a alguma rivalidade que tinham. Não importa. A luta continua, com ossos da face quebrados e tudo. Ninguém saiu o personagem.

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Cabeça lesionada? Mantenha o personagem!

Mankind vs. The Rock - I Quit Match
Uma das lutas mais memoráveis na história da WWE foi entre Mick Foley e The Rock. Foi uma “I Quit Match,” onde a única maneira de declarar um vencedor poderia ser quando um homem desistisse e dissesse que não podia aguentar mais. O personagem de Mick Foley era conhecido por duas coisas: 1) Ser capaz de aguentar uma quantidade assustadora de golpes, e 2) e por nunca dizer “eu desisto.” Perto do final da luta, Mick, com as mãos algemadas atrás das costas, devia levar alguns chair shots de The Rock. Mas The Rock exagerou um pouco.

Foley como um personagem “hardcore” não caiu desde o primeiro chair shot. Então ele sabia que receberia mais alguns. O que ele não sabia era que The Rock continuaria o acertando em um total de 11 vezes, terminando com ele necessitando de cuidados médicos nos bastidores. Mesmo assim, permaneceu no personagem.

Continue interpretando, mesmo depois de ser despedido!

Brian Pillman wcw - Eric Bischoff
Fazer com que os fãs continuem acreditando na ilusão da kayfabe exige várias etapas. Uma delas são os “worked shoot”, que parece ser quando um lutador quebra o script e todos ficam surpresos como se ele tivesse quebrado a kayfabe, mas na realidade a quebra do script fazia parte do script. Assim você consegue histórias às vezes ridículas, como essa:

No auge de sua popularidade, existiram várias organizações de wrestling concorrentes. Um lutador chamado Brian Pillman queria ficar longe de seus empregadores na wCw. Mas, na época, eles estavam em uma grande guerra de audiência contra WWE e ECW – essas foram as três potências das lutas. O ponto é, a wCw não estava disposto a deixá-lo ir. Em 1996, decidiu-se que eles estavam indo para encenar uma demissão falsa de seu personagem. Ou seja, eles estavam encenando a demissão de um personagem interpretado por um ator que realmente queria ser demitido.

A história diz que Pillman sugeriu que a demissão seria mais incrível ao público se eles usassem um documento de rescisão real. O general manager Eric Bischoff concordou e permitiu, resolvendo a papelada, assinado por todas as pessoas certas. Pillman assinou, e … foi isso. Ele estava fora de seu contrato, de verdade. O documento foi legal e as leis dos EUA realmente tem poucas exceções para os documentos executados como parte de uma storyline no pro wrestling.

No dia seguinte, ele estava trabalhando para a concorrente ECW, e mais tarde para WWE. Ele tinha quebrado a kayfabe, mas o fez trazendo o enredo para a vida real. E o seu (ex) empregador não poderia desfazer a situação, porque isso seria quebra de kayfabe.

Eis que Bischoff disse a entrevistadores (e disse em sua própria biografia) que a coisa toda foi planejada. Ele diz que a ideia era que ele iria para a ECW, para desenvolver seu caráter ainda mais, e depois voltar a WCW, mas que ele nunca voltou para terminar o plano. Isso é verdade? Nós nunca saberemos. É assim que eles sabem que fizeram certo.

Alguém faleceu no ringue? Mantenha-se no personagem!

No começo da década de 1950, em uma luta de tag team, uma lutadora de nome Ella Waldek realizava um combate quando outra jovem faleceu. Há histórias conflitantes sobre o que aconteceu antes que ela entrasse em colapso, mas a maioria dos relatórios mostraram que ela não estava ferida pela luta. Mas isso não impediu a polícia de prender os outros três lutadores envolvidos no desempenho. Na verdade, eles foram quase acusados, mas acabaram por serem libertados.

Ella Waldek
Quando a notícia saiu sobre a triste história, a audiência começou a aumentar porque as pessoas queriam vir e ver o lutador que matou alguém no ringue. Durante anos após o incidente, Ella Waldek teve de suportar a ira de fãs de luta e Ella só tinha que aguentar porque … bem, kayfabe. Ela não podia parar e abordar os fãs, explicando que antes da morte da menina, Ella teve uma conversa com ela nos bastidores e que a menina se queixou de uma dor de cabeça terrível. Ella disse à menina que ela deveria deixar o promotor saber, mas ela recusou. Não, ela não podia dizer nada disso, porque então ela estaria dizendo ao público que a rivalidade que tinham no ringue não era real. Ela estaria admitindo que fora do ringue, o bom rapaz e os lutadores com cara de mau sairiam como pessoas normais, e são realmente muito bons amigos. Não, se ela queria uma carreira sólida, ela só tinha que manter a boca fechada e, no tribunal da opinião pública, ser declarada culpada. E isso foi exatamente o que ela fez. E ainda dizem que é lutinha de mentira.

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